27 de set de 2012

Dois anos de missão cumprida e como não se deve escrever sobre quadrinhos


Absolutamente surpreso, foi como me senti ao chegar este mês de setembro. O Caixa de Gibis completou ao seu segundo ano de existência. Surpreso porque não imaginava que ia levar isso tão longe.

Não vou dizer aqui coisas clichês do tipo "nossa, como estou feliz" e todas essas baboseiras que os blogueiros costumam dizer, porque não estou nada contente. Não tenho tido tempo pra atualizar o blog, e mesmo quando tenho, não consigo levar adiante certas ideias. Minha atividade tem se resumido a página do Facebook. Isto não me deixa contente.

Mas neste ano que passou, fiz algumas coisas que me agradam agora, olhando pra trás.

Mudei muitas coisas por aqui, para adequá-las as minhas disponibilidades e para melhorar o blog. Os posts com notícias tiveram de ser suprimidos e dei mais ênfase aos artigos de opinião, que são, obviamente, muito mais interessantes do que replicar notícias que podem ser acompanhadas por outros meios. Os artigos quase sempre geraram polêmicas, alcançando uma repercussão quase inimaginável para qualquer blog de quadrinhos brasileiro.

Acredito que neste ano o blog ganhou sua personalidade definitiva como o único blog de quadrinhos com opiniões realmente relevantes. Enquanto outros blogs e sites pipocaram por aí com a pretensão de ter autoridade sobre o universo das HQs, mas não fizeram nada além de copiar ideias e notícias de sites estrangeiros com o objetivo de promover seus autores, este blog continuou apresentando ideias originais e honestas, sem se destinar a autopromoção e sempre dando crédito ás fontes originais.

O Caixa de Gibis também não se rendeu ao parasitismo intelectual dos blogs escritos por acadêmicos, atualmente em voga no Brasil. Estes senhores se utilizam dos quadrinhos como um objeto de experiências intelectuais bizarras, tentam provar que suas próprias ideias estão corretas e se utilizam dos quadrinhos para isso, mesmo que essas ideias não tenham nada a ver com os quadrinhos citados. Falam sobre quadrinhos como um cientista se utiliza de ratos de laboratório testando novos produtos químicos, para provar que suas pesquisas estão corretas. Sem se importar com os quadrinhos, querendo apenas a promoção de suas carreiras acadêmicas e posar de cool em meio as garotas da faculdade. O parasita intelectual se voltou para as HQs como a sua nova fonte de alimento e masturbação mental. Mas o Caixa de Gibis não se rendeu.

Este blog é feito por uma pessoa que ama quadrinhos desde criança, não por um modista que começou a ler gibis agora. Quando tinha treze anos, eu já estava lá, mandando cartas pra abril, pentelhando os editores e perguntando sobre as biografias de Robert Howard, Roy Thomas. Os quadrinhos fazem parte da minha formação, da minha vida, e eu os respeito. Não estou aqui pra me promover a custa deles, como esses acadêmicos fazem, nem aderindo a uma modinha, como os moderninhos que andam por ai pipocando. O Caixa de Gibis é um blog para quem conhece e ama os quadrinhos, e não se rende.

Este ano alguns textos causaram polêmica, a mais recente e de maior alcance foi A derrota dos super-heróis, quando desmascarei o golpe de marketing das duas grandes editoras dos quadrinhos americanos que se utilizaram da agenda LGBT para ganhar dinheiro e promover ideologias políticas. Meu artigo ganhou uma repercussão internacional que nenhum blog brasileiro jamais obteve. Pude provar que Os Brasileiros foram os mais corajosos quando se recusaram a aceitar a manipulação ideológica e marketeira dos gibis de super-herói. E com a revelação da Opinião de Roy Thomas sobre o caso, dei um golpe mortal nos conspiradores ideológicos e seus estúpidos adeptos.

Mas também tivemos momentos tristes este ano: quando tive de tomar a decisão de não falar mais sobre HQs brasileiras, por ter sido perseguido no Facebook por artistaszinhos de décima categoria que se ofenderam com minhas opiniões. O que me provou que Quadrinhos brasileiros não tem futuro.

Foi legal poder fazer uma crítica da nova abordagem do Conan e revelar que o personagem representa uma deturpação do conceito original. Continuei a desmascarar as horríveis sandices de Alan Moore, invocando a ira de seus seguidores irracionais e descerebrados.

Como um grande admirador de Frank Miller, fiz uma resenha de Holy Terror, ajudando a resgatar a reputação deste grande artista, manchada pela perseguição de falsos críticos de quadrinhos e aproveitadores.

Ainda vimos a briga de Alan Moore com Frank Miller, que dividiu os fãs e mostrou quem é quem. E lá atrás, o segundo ano do Caixa de Gibis começou com a única resenha sincera de Daytripper, o gibi que inaugurou o gênero telenovela gráfica.

Apesar de tudo isso, estou descontente, queria ter feito muito mais, porém infelizmente não tive tempo. Espero seguir com o blog neste novo ano, o terceiro, e poder escrever mais. Tenho um pequeno grupo de leitores fieis e é isso que é importante, passei do jardim de infância e sei como se deve e como não se deve escrever sobre quadrinhos. 

Este blog continua tendo muitos inimigos e ainda é muito perseguido. Criei um espaço de livre expressão, e por isso tantas polêmicas, inimigos e perseguições. Muitas pessoas não entendem isso, muitas pessoas ainda se incomodam com a liberdade de expressão e a pluralidade de ideias. A única coisa que posso dizer é que este blog não é para essas pessoas. Os quadrinhos não são para essas pessoas.

Os quadrinhos representam uma das maiores forças de liberdade criativa já imaginadas pelo homem. Os super-heróis em especial expressam todo nosso poder imaginativo e nossas esperanças de liberdade e crescimento individual. As pessoas que vem aqui censurar e acusar provavelmente não sabem nada de quadrinhos, nunca vão saber.

De resto, os mais antigos sabem que o nome do blog mudou. Por que Caixa de Gibis? Ora, a coisa mais simples do mundo: Quando eu era garoto e colecionava os gibis Marvel/DC, ainda na época do formatinho da editora abril (e do formatão Conan), eu os guardava todos com muito cuidado, em uma gigantesca caixa. Todo garoto que gosta de gibis fazia ou faz isso.

E era só abrir aquela caixa de gibis pra escapar da realidade e viver as mais nobres aventuras, sem gente chata e burra para impor limites.










2 Comentários:

calazans disse...

Muito bem, Mauro, seu texto é sincero, e se temos divergências sobre o quadrinho autoral ser, na minha opinião, Europeu (desde Basrbarella 1962 e os álbuns de Erick Losfeld na editora Le Terrain Vague como "Saga de Xam") sua coerência é exemplar assumindo a defesa do direitista Frank Miller e declarando-se de Direita, muito corajoso, e seu blog tem a primazia de ter "causado" reação até nos USA como caso do Lanterna Gay ! Parabéns e continue assim , vc nos inspira !

Leonardo disse...

O que eu acho mais engraçado é você dizer que só quem ama e conhece quadrinhos desde de criança pode falar de quadrinhos e fazer critícas. Então se você se diz uma autoridade em quadrinhos, logo (logicamente) você não teria autoridade para falar de política, história, sociologia, cinema e assim vai, simplesmente porque você nem é formado na área e nem tem um nível intectual aceitável ou teve uma grande vivência na área. Logo então o Alan Moore tem maior poder de conhecimento que você, ao fazer critícas ao mundo dos quadrinhos, ou mais atualmente o Before The Wachtmen. Ele tem mais tempo na área, conhece os quadrinhos mais intimamente que qualquer um de nós, escreve roteiros para quadrinhos, sendo assim temos (pela sua lógica) respeitar ele como se fosse o Senhor-Conhecedor-dos-Quadrinhos, logo você não é essa autoridade de quadrinhos. Este tipo de atitude que você se poe é pior ainda que o acadêmico que se acha o intelectual (só porque está na universidade) em quadrinhos. Está sua opinião é ridícula, para não dizer coisa pior. É coisa de filosofia rasa, sem fundamento nenhum.
Qualquer um pode ser autoridade sobre um certo conhecimento ou objeto (como você pode ter sobre as HQ's), desde que tenha um bom embasamento sobre o assunto, desde que tenha se aprodundado - pelo menos razoavelmente - sobre o tema. Se você se sente atingido ou perseguido, aprenda (já que não aprendeu nesses dois anos) a fazer a replica de forma inteligente, sem ofensas ou esbrajamentos sem sentido. Cuidado com esse negócio de ser dono da verdade, porque isso é algo perigoso e altamente erroneo. Pessoalmente eu acredito numa verdade universal, mas ela se baseia no respeito mutuo e não no autoritarismo (Isso que você diz "muitas pessoas ainda se incomodam com a liberdade de expressão e a pluralidade de ideias", sinceramente não vejo esse respeito pela liberdade de expressão). E de boa...você não sabe escrever sobre quadrinhos. Talvez (falo "talvez" porque não vejo nada de últil que você tenha escrito sobre, a não ser para enriquecer a minha retórica para discutir com você) porque você ainda vive naquele velho mundinho do conservadorismo e não conseguiu acompanhar a evolução dos quadrinhos. As coisas evoluem, isso acontece com tudo na vida (crescer é necessário). Resumindo, você não é e nem vai vir à ser autoridade para falar de quadrinhos, será (como eu também e outros blogs que conheço) um apreciador e "estudioso" sobre quadrinhos (mesmo você tendo opiniões esdruxulas).
Aproveitando um gancho sobre isso, eu recentemente li seu comentário no Raio Laser sobre o artigo do Linck. Só a título de observação. Frederic Wertham era o maior conservador, ele não era comunista (ou marxista) de forma alguma, não sei de onde você tirou essa idéia...na verdade eu sei, foi aquele seu mentor, o pseudofilosofo, pseudoprofessor, pseudojornalista Olavito. E agora vou apelar, se você não tem a capacidade de compreender os quadrinhos além daquele mero discurso seu sobre "Os super-heróis em especial expressam todo nosso poder imaginativo e nossas esperanças de liberdade e crescimento individual", não posso fazer nada que você se sinta enciumado por outras pessoas conseguirem alcançar esse grau de sabedoria que você não consegue. Talvez seria bom você voltar para universidade.

No mais...Parabéns por fazer os meus dias de tédio ficarem divertidos, só para eu poder bater-boca com você. Sempre me divirto muito.

Obs.: Para com essas coisas de teoria da conspiração marxisistas, porque esse negócio não existe.

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