1 de ago de 2013

O Homem de Aço - A pobreza dos filmes de explosão



Tenho vontade de falar sobre um filme quando ele me desperta alguma ideia empolgante, ou quando, ao assistir, sinto alguma emoção, que pode variar do riso a elevação espiritual, passando pela raiva ou a tristeza.

Sem ter a capacidade de despertar qualquer pequena emoção, mesmo que fosse o tédio ou a revolta, sem a possibilidade de gerar em nossas mentes quaisquer ideias, mesmo as mais efêmeras e clichês, um filme não merece sequer a atenção de um crítico. Pensei muito sobre o que escreveria sobre Homem de Aço, quase não tive o que escrever.

O novo filme de Superman, dirigido por Zack Snyder, é o tipo de filme que nos deixa completamente indiferentes, é um filme tão sem emoção e tão vazio de ideias que não desperta sequer indignação por ser um filme ruim. Não diverte, não faz pensar, não entedia, não dá sono ou faz rir. É simplesmente uma montanha colossal de efeitos especiais produzidos em computador, fogos de artifício que encantam nossos olhos em mais de duas horas de projeção de imagens sucessivas de explosões, paisagens irreais, prédios caindo, carros arremessados, aviões despencando, naves horripilantes e todo tipo de coisa inteiramente produzida em CGI, acompanhadas de efeitos sonoros barulhentos e desnecessários, nos deixando mesmerizados e inertes em uma cadeira.



O cinema surgiu como uma curiosidade em shows de atrações populares, um trem era filmado vindo em direção a câmera, o povo se contorcia na cadeira, achando que o trem ia sair da tela. Mas o cinema evoluiu, passou a ser teatro filmado e em seguida ganhou elementos próprios, tornou-se arte, entretenimento sofisticado. Hoje regride.

Em Homem de Aço voltamos ao trem. A quantidade de prédios que cai em direção ao espectador é incontável. Todo o filme se baseia na manutenção artificial de nossa atenção em imagens sensacionais, porque contar uma boa história para nos entreter não importa, seria difícil e não ficaria bom no 3D, que aumenta a arrecadação. 

O grande erro da produção do Homem de Aço foi a escolha do diretor. Zack Snyder vê o cinema exatamente dessa maneira, como uma porção de imagens fantásticas entremeadas de um frágil e, infelizmente, necessário, suporte de cenas narrativas dramáticas. O roteiro do filme serviu ao diretor. 

Não há qualquer possibilidade de identificação com os personagens mostrados, Clark Kent, seus parentes em Kripton, seus pais adotivos na Terra, Lois Lane e os coadjuvantes não passam de enfeites na tela que murmuram poucas palavras uns aos outros com o único objetivo de abrir caminho para as cenas de explosão. 

Tal pobreza conceitual torna irrelevante, por exemplo, citar as falhas de roteiro, porém vale notar a principal delas. Como Superman pode ocultar sua identidade no final do filme se, durante a narrativa inteira, todo mundo de Smallville já sabia quem ele era, e se há até uma cena em que Lois Lane é levada por policiais a casa de Martha Kent? 

Intelectualmente irrelevante, um filme que não nos faz pensar sobre a natureza do herói, sem nenhuma questão discutida de forma inteligente ou minimamente coesa, poderíamos ainda esperar que Homem de Aço fosse divertido, porém não é. Sem alívio cômico ou uma mínima dose de suspense, repleto de ação gratuita, o filme fracassa.

O principal problema é o excesso de efeitos especiais e cenas de destruição. Até na morte de Jonathan Kent o diretor inseriu os seus efeitos gráficos, anulando o drama. A primeira aparição de Supermam com o uniforme (que decepção!) ficou sem graça, assim como todas as cenas em que o destaque está no personagem. Zack Snyder já tem isso como marca de seu cinema, o exagero no aspecto gráfico e a incapacidade de dirigir atores. Obrigados a contracenar quase todo o filme com telas verdes, os atores não encarnam personagem algum, o resultado é sempre pífio. Entendo que Snyder veja o cinema como uma arte de imagens espetaculares em movimento, porém, desta vez ele foi tão longe em busca de seu êxtase imagético que agiu como a mulher bonita que decide se maquiar e aplica todo seu estojo no rosto, tornando-se uma monstruosidade ridícula. O cinema de Zack Snyder é brega.

Zack Snyder tinha um tesouro nas mãos, mas sua falta de talento e visão infantil do cinema o fez desperdiçá-lo. Este seu Supermam pode até virar mais uma lucrativa trilogia, mas não será um clássico como a versão que trouxe Christopher Reeve. Ele será descartável e esquecível como todos esses filmes de explosão, porque não passam de uma sucessão de imagens pueris que suspendem nossas sensações e manietam nossa atividade intelectual, seus personagens não tem alma, seus diálogos são tem substância e sua trama não passa de um tartamudear desconexo de desculpas para a próxima explosão. Este cinema não nos traz emoções verdadeiras, ideias empolgantes. Tão frio e insípido quanto o aço, ele é consumido como a pipoca e o refrigerante, para depois ser esquecido.



11 Comentários:

Marcos Gabriel disse...

Muito bmom o texto, ao contrário do filme.

UYAHUHAHUAHUAHUHUA

Batoré disse...

Parabéns, você sabe como defecar pelas mãos, só vi asneiras!

David disse...

Filme extremamente vazio. Não que houvesse alguma obrigação de injetar doses cavalares de emoção, senão viraria um novo Superman Returns, mas este aqui realmente não tem um propósito a não ser de reforçar o Zack Snyder como o Michael Bay dos filmes de super-heróis.

Sem Clark jornalista, flashbacks embaralhados, sem uma decente Lois Lane, sem equipe (decente) do Planeta Diário. Diálogos horríveis.

Nunca mais passo os olhos nessa merda.

Luiz Fernando disse...

Realmente, esse filme não provoca emoção nenhuma. Você não pode falar que é um filme ruim porque é bem feito, as cenas de ação são bem competentes e etc e tal, mas se for pesar as atuações e a maneira como a história é contada, você não pode dizer que é um filme bom também.

A cena da morte do Kent foi grotesca, digna de um framboesa de ouro. Os closes no rosto do super nas cenas de vôo, com ele gritando me despertaram uma certa vergonha alheia. E a história, pelos deuses... Snyder pegou vários trechos lineares da história e começou a contar pela metade, depois voltava pro começo pra depois ir pra conclusão. O resultado é que a história ficou confusa, arrastada e deixou no fim aquela sensação que, se o filme tivesse 20 ou 30 minutos a menos, esses minutos não fariam a menor falta.

Enfim, mais um filme do super totalmente dispensável. O duro é que surgem noticias de um filme dele com o batman nos próximos anos, roteirizado e dirigido pelo Snyder.

françois disse...

Queria te agradecer. Seu texto me lavou a alma. Já estava me convencendo que as pessoas que leem gibis de super-heróis tinham todas entrado em acordo para não ter qualquer discernimento sobre cinema e aclamar qualquer lixo que a indústria americana produz.

Mário Osvaldo Silva disse...

Só discordo no que tange as críticas a Zack Snyder.Na minha opinião,a melhor adaptação de um filme de super-herói é Watchmen.E sua versão para Madrugada dos Mortos é considerada pela maioria dos fãs de filmes de zumbi como o melhor já realizado(discordo disso,mas gosto do filme).

james lima disse...

É, meu caro, o problema é q vc e tantos outros só viram EFEITOS ESPECIAIS... um filme desse tipo de personagem merecia grandiosidade de efeitos e produção... e tenho muitos amigos que leram muito sobre o personagems que acharam "O Homem..." um filmaço... claro que com ressalvas à montagem e à inconsequência de kal-el... não nos apressemos... veremos isso na sequência...

Interessante vc não comentar nada sobre o enredo... Me perdoe... ms pare de projetar sua subjetividade extrema na análise... Ou comparar com a versão do Reeve... pois é arriscado, e cometerá um mais elementar dos erros! Comparando duas obras, obviamente que vc enxergará uma em 'decréscimo' à outra, amigo...

P.S. "Como Superman pode ocultar sua identidade no final do filme se, durante a narrativa inteira, todo mundo de Smallville já sabia quem ele era, e se há até uma cena em que Lois Lane é levada por policiais a casa de Martha Kent? " palavras suas... Onde fica claro isso no filme?? Apenas Pete Ross parece reconhecer Clark como Super na loja e, obviamente, que Lois tbm, uma vez que ele se revela pra ela... o policial ter levado lois até a casa de clark não é garantia que ele agora sabe quem é o clark... ele simplesmente pode ter visto o super ajudando uma senhora qualquer, amigo... Em smallville, outras pessoas - assim acredito - apenas veem o 'Super' - e não 'Clark' - em ação... não esqueça que há muito tempo desapareceu e viaja pelo mundo...

É como eu estou dizendo por aí, ASSISTEM AO FILME, mas NÃO ASSISTEM AO FILME...

Tavares disse...

James

Discutir que enredo? Aquele papo furado de "eles vão rejeitar vc filho", seguido de "vc não é meu pai" e "encontrei meus pais mamãe" e "buaaaaa eles vão tirar vc de mim"

E dai Zod gritando feito um retardado que vai reconstruir Krypton na Terra.

Essa é a trama desse filme. Desculpas para novas explosões e cenas de porrada que parecem power rangers bem feito.

Além disso, os pais de Pete vão a casa dos Kent, o menino misterioso de Smallville que levantava ônibus, queimava a mão da professora e com quem todo mundo fazia bulliyng na escola, que desapareceu na juventude. Vc sabe o que é isso em uma cidade pequena? Significa QUE TODO MUNDO SABE QUE É VC!


E Vc não leu minha crítica.

Erick ) disse...

Discordo totalmente da parte que diz "nem consegue entediar". Eu quase dormi nesse filme sem graça, sem sal, sem emoção, sem nada. Um amontoado de efeitos especiais e um diálogo aqui e ali só pra enfeitar. Até os diálogos são artificiais, me senti assistindo Os Mutantes da Record,só que com efeitos melhores kkkkk!

james lima disse...

é, tavares, superficialidade é um caminho fácil msm... li seu texto, mas não li sua crítica, pois não há crítica ali...

à sua afirmação final "Vc sabe o que é isso em uma cidade pequena? Significa QUE TODO MUNDO SABE QUE É VC!, falta embasamento, ou melhor, mais atenção à lógica interna de uma obra de ficção, no caso o MOS... Não está claro que todos devem saber ou saberão que o Super é Clark Kent, pois - repito - todos apenas enxergam em ação o Super... Clark, há muito tempo, estava ausente de smallville, viajando pelo mundo...

Pete Ross "parece" reconhecê-lo... entenda isso... e como os criadores são os mesmos do Batman... é uma rima temática com outro personagem: Lucius Fox... que sabe que Bruce é o Batman, mas guarda segredo por 'acreditar' que ele tem boas intenções...

Tenha mais imaginação, cara, e procure ler e estudar mais pra embasar melhor sua "crítica"...

abraço cinéfilo...

Jaime Soares disse...

Sou fã de quadrinhos... Fiquei extremamente decepcionado com o filme. A única coisa que senti ao final foi a vontade de rever os 2 primeiros, dos anos 70/80. Este novo tecnicamente é uma obra prima, mas totalmente sem alma. Simplesmente não conseguem fazer o expectador se importar com os personagens. Tive esta mesma sensação ao assistir o remake de "vingador do futuro".

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