14 de mai de 2013

Um Homem de Ferro frouxo




Quando ouço falar que vão "humanizar' um super-herói dos quadrinhos, sinto vontade de sacar uma arma.

Humanizar caras que voam com capas vermelhas, que atiram raios pelo olho, que tem força pra atirar planetas pelo cosmo e se teleportam? Humanizar umas criaturas que leem mentes, tem esqueletos indestrutíveis e mudam de forma? Humanizar seres que controlam o magnetismo, as forças da natureza, que convivem e lutam com Deuses de outras dimensões, Mutantes e superhumanos? Humanizar o quê??

O último filme do Homem de Ferro foi o maior fracasso conceitual que já vi no cinema de super-herói dos últimos dez anos. O que fizeram com o personagem foi um ultraje inominável e a desculpa inicial foi 'humanizar o herói'.

O diretor e roteirista Shane Black apresentou um Homem de Ferro que de herói não tem nada. Um fracote que passa o filme todo apanhando e chorando, que talvez só na cabeça desse diretor poderia ser um herói.

A trama do filme mostra Tony Stark lutando contra uma ameaça muito superior as suas capacidades. Em 1999, ele é procurado por uma jovem cientista idealista chamada Maya Hansen, criadora da tecnologia "Extremis", que se propõe a reprogramar o DNA de seres vivos a ponto de regenerá-los, recriar seus tecidos danificados. Seu objetivo é ajudar pessoas que perderam membros. Ao mesmo tempo, o renegado cientista Aldritch Killiam busca uma audiência com Stark, mas é desprezado.

Voltando ao tempo presente, Stark aparece como um indivíduo abatido. Após os eventos ocorridos no filme Vingadores, o ataque alienígena, o Homem de Ferro sofre de crises de ansiedade e trabalha de forma monomaniaca na criação de novas armaduras, sem dar atenção para sua esposa Pepper Potts. Alienado da realidade, Stark só percebe que o mundo está ameaçado por terroristas quando seu amigo e guarda costas Happy Hogan é ferido em um suposto atentado a bomba.

O terrorista islâmico conhecido como Mandarim ameaça os Estados Unidos com transmissões piratas pela TV, ele tem um exército de homens-bomba e quer matar o Presidente Ellis. Revoltado com a situação de seu amigo, Stark desafia o terrorista a atacá-lo em sua própria casa. Em seguida, a mansão de Stark é severamente destruída pelos asseclas do terrorista e Stark escapa para uma cidade distante graças a uma programação de Jarvis, que investigava os atentados anteriores.

Ferido e maltrapilho, Tony Stark se torna amigo de um garotinho de uma cidade do interior, que o ajudará a encontrar pistas dos terroristas, enquanto o mundo inteiro acredita que ele está morto. Entrando em conflito com os agentes do Mandarim, Stark se vê impotente, seu traje de Homem de Ferro está avariado e ele deve lutar com suas próprias forças, mas as crises de ansiedade e choradeira não o abandonam.

Apesar de fraco e incapaz, Stark consegue rastrear o Mandarim até uma mansão em Miami. Paralelamente, o governo americano recruta o Coronel James Rhodes para atuar como o Patriota de Ferro e combater o terrorismo islâmico. Enviado para o Oriente-Médio, o negrão não encontra nenhum terrorista. Em Miami, Tony Stark descobre que o terrorista islâmico não existe, trata-se apenas de um ator que serve a uma organização desconhecida que visa manipular o "medo dos americanos".

É ai que começa a palhaçada.

O terrorista é um bufão, um fanfarrão, um ex-ator e sem-teto chamado Trevor Slattery que teria sido contratado para fazer o papel do terrorista Mandarim em troca de dinheiro, putas e cachaça! O cara é tão ridículo que os fãs do Homem de Ferro que conhecem os gibis devem abandonar a sala de cinema neste instante pra não vomitar alí mesmo!

O resto do filme é merda pura, como se não tivesse sido merda até aqui. Descobre-se que a organização secreta que criou o Mandarim é chefiada por Aldritch Killian, ele tomou controle da tecnologia Extremis, aprimorou e a transformou em uma espécie de oficina de criação de supersoldados que regeneram membros, são indestrutíveis e cospem fogo! Tudo isso por reprogramação do DNA. A criação idealista da cientista Maya Hansen teria sido subvertida. Agora, com o apoio do Vice-Presidente dos EUA, que deseja a regeneração de uma filha aleijada, essa organização criou a falsa ameaça terrorista do Mandarim para matar o Presidente Ellis e ainda ganhar uma grana com isso na velha história da indústriabélicaganhaumagranacomaguerra!! A justificativa seriam as maldades que os EUA fazem quando invadem outros países para "pegar o petróleo" e todo o blá blá blá do capitalismo malvado e "imperialismo americano". O terrorismo islâmico não existiria, seria apenas um símbolo utilizado pelo governo dos EUA pra amedrontar seus próprios cidadãos e garantir apoio. O terrorismo seria um 'inside job'.

Após descobrir a farsa, Stark é capturado, assim como Pepper Potts e Maya Hansen, os conspiradores também capturam o Patriota de Ferro e tomam-lhe a armadura para sequestrar o Presidente e matá-lo em uma execução televisionada para o mundo inteiro.

Mas Stark escapa, Hansen é morta por Killian e Potts é submetida ao processo Extremis. Na batalha final, em uma plataforma de petróleo onde o Presidente seria executado, Tony Stark enfrenta Killian e tenta salvar Potts da morte.


O que mais me chamou atenção no filme foi a proposta estúpida de "humanizar" Tony Stark, aqui começa a merda. Essa coisa de "humanizar" super-heróis se tornou a maior furada. Por acaso a medida da humanidade é a fraqueza? Quer dizer que quanto mais fracos somos, mais humanos seremos? Todas a vezes que vemos um filme ou lemos um gibi em que o herói é "humanizado" não temos nada além de um chorão, um fracote, um complexado se fazendo passar por herói. Não se pode humanizar o que não é humano. super-heróis não são humanos, eles são fantasia, e colocar fraquezas nos personagens não significa humanizar, significa simplesmente tirar-lhes a essência. No filme todo, Tony Stark é um chorão, ele apanha e tem crises, até o garotinho faz terror psicológico na cabeça dele! Não há nenhuma situação que ele resolva, tudo é resolvido pelos coadjuvantes.

Quando os carcamanos do Mandarim destroem sua mansão ele não faz nada, quando enfrenta os soldadinhos do Extremis, só faz apanhar, quando Potts é sequestrada, ele não a salva, quando o Presidente é capturado, quem o salva é o Patriota de Ferro. Para enfrentar os soldados de Killian ele se utiliza de um exército de armaduras. Até na (única) cena empolgante das pessoas que caem do avião presidencial, não é Tony Stark que está lá pra salvá-los. Na hora da batalha final é Potts, modificada pela tecnologia Extremis, quem vence o vilão Killian. A única cena mais ou menos heroica de Tony Stark no filme todo é quando ele invade a mansão e descobre que o Mandarim é uma farsa, mas essa cena só acontece exatamente porque tem esse objetivo, o de frustrar o herói. Tudo que Stark faz o filme inteiro é apanhar, chorar em suas inexplicáveis crises e claudicar de forma ridícula como um fracassado. Sua única função admirável é a de palhaço, de piadista incurável.

Homem de Ferro 3 não é um filme de super herói, é um filme antiherói. Seu objetivo é ridicularizar a figura clássica do herói que nós, velhos fãs, conhecemos. A desculpa seria "humanizar" o personagem. Mas perai, vamos pensar: O Tony Stark dos filmes anteriores já não era humano o suficiente? Ele era arrogante, egocêntrico, pernóstico, teimoso. Isso já não é humano?

Por que ridicularizar a figura do herói?

E, acima de tudo, por que insistir nessa ideia estapafúrdia de que o terrorismo islâmico não existe, de que é tudo uma armação da indústria bélica, do governo americano, que não há inimigos da América, quando todos sabemos, por informações claras e verídicas, que existem sim dezenas de organizações terroristas islâmicas querendo destruir os EUA e todo o mundo ocidental?

Por que enfraquecer os símbolos americanos? Enfraquecer seus super-heróis, que sempre foram símbolos de sua força e coragem?

A resposta talvez esteja no fato de que hoje muitas pessoas ganham dinheiro dentro do sistema capitalista, dentro da indústria de cinema, criticando o próprio capitalismo, essas pessoas estão infiltradas em Hollywood. O filme Homem de Ferro foi metade financiado por empresas chinesas, inimigas dos interesses americanos, que jamais aceitariam que o vilão Mandarim fosse representado como ele é nos quadrinhos e jamais aceitariam que a supremacia americana encarnada nos super-heróis transparecesse nesse filme.

A indústria de entretenimento, controlada por esses interesses malignos, reduziu o Homem de Ferro a chorar, apanhar e contar piadas sem graça, um homem de ferro frouxo que no final do filme destrói suas armaduras e deixa de ser o herói. 

Vitória para o inimigo.




8 Comentários:

Moa disse...

Tem que fazer outro HOMEM DE FERRO 3 e jogar essa MERDA HOLLYWOODIANA no lixo.

Kamen Rider disse...

Mauro, o que você achou dos dois primeiros filmes?

osorio disse...

Discordo que o Tony Stark mostrado no filme fosse um "frouxo" apenas um HOMEM em crise, coisa que todo mundo tem, na vida todos temos altos e baixos e a força e o heroísmo reside em justamente superar a própria fraqueza e ainda assim combater o mal, e até ai o filme estava ótimo. Acho ridículo o senhor achar que super-hérois devem ser sempre fodões e invulneráveis, sem problemas nem defeitos, isso é pode ser bom servindo de inspiração, mas se torna um saco quando é a única opção ficcional póssivel, por isso acho muito interessante essa abordagem de hérois mais falhos, superando seus defeitos e fraquezas e ainda assim alcançando feitos heróicos.
Entretanto......
Concordo inteiramente com você quanto ao fato do mandarim do filme ser uma farsa ter sido uma merdaaaaaa.
Além de ser um dos maiores anti-climax que eu já vi, é um insulto ao povo norte-americano e ao próprio bom-senso e lógica insinuar que a guerra ao terror foi um embuste, depois de 3.000 mortos e inúmeras organizações terroristas espalhadas pelo mundo, querendo o sangue dos americanos e de todos os ocidentais. Infelizmente o antiamericanismo é a ideologia mais poderosa das esquerdas atualmente e nem a industria cultural escapa, basta ver a reação de ódio que a crítica teve ao gibi holy terror, por não seguir o realejo antiamericano. Finalmente obrigado por falar sobre o dedo sujo dos chineses no filme, ah, isso explica muita coisa...

osorio disse...

Segue o comentário com algumas correções...
Discordo que o Tony Stark mostrado no filme fosse um "frouxo" apenas um HOMEM em crise, coisa que todo mundo tem, na vida todos temos altos e baixos, e a força e o heroísmo reside em justamente superar a própria fraqueza, e ainda assim combater o mal e até ai o filme estava ótimo. Acho ridículo o senhor achar que super-hérois devem ser sempre fodões e invulneráveis, sem problemas nem defeitos, isso pode ser bom servindo de inspiração, mas se torna um saco quando é a única opção ficcional póssivel, por isso acho muito interessante essa abordagem de hérois mais falhos, superando seus defeitos e fraquezas e ainda assim alcançando feitos heróicos.
Entretanto......
Concordo inteiramente com você quanto ao fato do mandarim do filme ser uma farsa ter sido uma merdaaaaaa.
Além de ser um dos maiores anti-climax que eu já vi, é um insulto ao povo norte-americano e ao próprio bom-senso e lógica insinuar que a guerra ao terror foi um embuste, depois de 3.000 mortos no 11 de setembro, e inúmeras organizações terroristas islâmicas espalhadas pelo mundo, querendo o sangue dos americanos e de todos os ocidentais. Infelizmente o antiamericanismo é a ideologia mais poderosa das esquerdas atualmente e nem a industria cultural escapa, basta ver a reação de ódio que a crítica teve ao gibi holy terror, por não seguir o realejo antiamericano. Finalmente obrigado por falar sobre o dedo sujo dos chineses no filme, ah, isso explica muita coisa...

David disse...

De longe absurdamente inferior aos outros 2 filmes (que considero-os acima da média, até mesmo o 2, que muita gente fala mal). Uma merda mesmo, com um plot twist desnecessário. Dava pra passar sem essa e fazer o Mandarim como se devia, mas como hoje a moda é bancar o "zé graça" nestas super-produções de heróis...

Sirro's Saymons disse...

Cara, li sua crítica, vi somente verdades, mas minha análise no final foi completamente diferente da sua. Onde você observou pontos fracos, observei pontos fortes. Mas foi boa a análise só não concordei com a conclusão.

Malu disse...

Embora eu goste mais do Homem de Ferro 2, também gostei do 3. Não acho o Tony Stark frouxo. Acho ele humano, e não vejo nada de mais em ele ser humano. "Humanizar um super herói." Não li os HQ, mais pelo menos nos filmes, mostra que Tony sempre foi humano, ele não tem superpoderes como os demais super-heróis, como ele diz para Pepper, ele é só um homem de lata. Eu particularmente adoro isso nele. O que me atrai no Homem de Ferro é justamente o fato dele não ter disfarces, de ser autêntico, ele é o oposto dos demais heróis, pois ele não esconde sua identidade, adoro no 1º filme quando ele diz: "Eu sou o homem de Ferro." Ele não faz questão de se esconder, ele gosta de aparecer. Ele bebe muito mesmo e é descontrolado, como a maioria dos gênios, por que os super poderes dele é justamente a inteligência. Adoro o jeito safado e mulherengo dele, que mostra que ele não é o típico herói bom moço. E amo ainda mais a relação dele com a Pepper que foi evoluindo, de uma relação profissional para amizade e em seguida amor. Desde o primeiro filme da pra perceber pelos olhares deles que eles não aceitam os seus sentimentos. Acho perfeito como eles se olham nos olhos. Acho apenas que poderia ter tido mais beijos. Enfim, adoro o Tony Stark e acho o Homem de Ferro perfeito. E acho inclusive que tem mesmo que haver adaptações e modificações, o mundo evoluiu muito desde a década de 60. Esse negócio de herói invencível, já era. O misto de força e fraqueza é o que torna o personagem tão atraente.

Malu disse...

Gostei da sua análise embora discorde em alguns pontos. Pelo pouco que li sobre as HQ, vejo que os filmes fogem bastante da história original. Mas qual filme não foge da história original? Ainda assim, acho um ponto mais favorável, afinal, a história original é da década de 1960 e estamos em 2013, muita coisa mudou desde então. Quanto a "humanização dos super-heróis", entendo o seu ponto de vista, mas eu particularmente gosto desta humanização, afinal, o que mais me chamou a atenção no Homem de Ferro é justamente a sua humanidade, suas falhas, seu inúmeros defeitos, ele é diferente dos demais heróis, que escondem sua identidade secreta e são mocinhos, que ficam escondidos atrás dos óculos ( supermam). O Tony Stark não, ele não faz questão de ser "bonzinho" e muito menos se esconder, adoroooo a parte 1 quando ele diz: "Eu sou o Homem de Ferro", enfim, ele gosta de aparecer, ele é mulherengo, egoísta, narcisista,arrogante, ele se acha literalmente...kkkk. Essas características o torna mais real e apaixonante, até porque, ele é humano, ele não vem de outro planta como o supermam, o Thor, não foi geneticamente modificado como o Hulk e o Capitão América, ele não sofreu interferências de uma tempestade cósmica como os integrantes do quarteto fantástico. Enfim, como ele diz a Pepper no terceiro filme, ele é só um homem de lata, os super-poderes dele é a inteligência, e isso é que legal na história. Acho muito interessante, porque os filmes são todos interligados, bem sequenciados, e o fato dele estar "psicologicamente afetado", ou frouxo, tem tudo a ver com isso, pois ele é humano, um homem comum com uma armadura. De repente ele se torna um super-herói, salva o planeta, luta contra "seres alienígenas", qualquer um pira. Gostei da parte em que a Pepper salva ele,mostra o amor e a cumplicidade que existe entre os dois, acho lindo os dois juntos, eles têm uma química perfeita, uma troca de olhares de diz tudo. Sou fã do Homem de Ferro, desmistifica essa ideia do herói invulnerável e perfeitinho. O mundo mudou, e com ele os super-heróis também.

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