30 de mar de 2012

Quadrinhos brasileiros não tem futuro.


Quando dei início a este blog, não pensava apenas em resenhar quadrinhos e informar, pensava em aumentar meus conhecimentos sobre o assunto e a minha experiência com a escrita. Para isso, nenhum tema seria restrito. Mesmo os mangás, que conheço tão pouco, teriam seu espaço, a medida que os fosse conhecendo. Mas infelizmente, nem tudo ocorre como o planejado, e me vi na obrigação de restringir um assunto aqui no blog.

Quadrinhos brasileiros, a partir de hoje, não vou mais falar deles.

A razão disso foi uma situação desagradável que ocorreu no Facebook, onde algumas pessoas apareceram tentando me ofender pessoalmente, sendo que em nenhum momento me referi ao trabalho dessas pessoas, que não é do meu conhecimento. O resultado foi uma confusão, onde tentaram me desqualificar e tive de usar de vários meios pra me defender.

A partir dessa experiência estressante, cheguei a conclusão de que não vale a pena para mim gastar meu tempo analisando quadrinhos brasileiros. Se depender de mim, os artistas brasileiros vão continuar como estão (e como querem estar) carentes de um trabalho crítico.

Não criei este blog pra me estressar, mas sim pra me divertir e aumentar meus conhecimentos, é um hobby. Os quadrinhos são uma arte que amo, não faço isto aqui pra gerar sentimentos negativos ou me aborrecer. Gosto de polêmicas e discussões, mas não de criar relações com pessoas de baixo nível cultural e de caráter, só para me aborrecer. No momento que este blog começasse a se tornar uma tarefa aborrecida, eu o excluiria.

Artistas brasileiros não lidam bem com crítica, não gostam disso, já escrevi aqui sobre essa questão. Por isso não vou mais perder tempo com uma coisa tão inútil quanto criticar um gibi nacional. Não passei anos da minha vida gastando tempo e dinheiro, deixando de fazer outras coisas as vezes até mais importantes pra mim, pra tentar compreender um pouco mais de quadrinhos, só pra vir aqui e jogar pérolas aos porcos. Eu me orgulho do público culto e bem educado que possuo, apesar de pequeno.

Os sites sobre quadrinhos brasileiros são inúteis, não existe crítica, análise, existe apenas o sujeito que faz um site pra elogiar o trabalho de seus amigos, que deseja ficar amigo de artistas e com isso criar um clubinho, onde seu ego vai inflar. Só são aceitos no clube os que repetem a mesma coisa que todos falam. Opinião pessoal, não interessa de que tipo, é uma ofensa que rende muitos problemas pra quem a emite, e problemas não me interessam. Eu criei isto aqui pra falar sobre uma arte.

Nem mesmo sou um apreciador de quadrinhos brasileiros, então guardarei a honrada atitude de falar sobre o que pra mim tem valor. O único artista brasileiro que apreciava era Lourenço Mutarelli, mas em sua última entrevista que lí, ele deixou claro que os quadrinhos não o interessam mais, que o seu retorno aos quadrinhos foi uma farsa comercial. Decepção completa.

Não há mais nada a dizer sobre quadrinhos brasileiros. Por que iria me ocupar em resenhar obras medíocres feitas pra abocanhar dinheiro público na forma de compras pra bibliotecas, dinheiro este que deveria ser gasto com obras de valor ou ser aplicado em outras áreas, mais necessárias ao bem comum? Por que iria resenhar trabalhos artísticamente irrelevantes e de qualidade discutível, só para destilar emoções negativas e receber ofensas infantis de volta? Por que iria tentar "colaborar" com pessoas que não querem nenhuma ajuda, mas apenas satisfazer o seu ego carente de elogios, ego maior que a inteligência e o talento? Por que iria me envolver em uma cena que, em suma, despreza o trabalho do crítico?

Não há nada que preste sendo produzido nem futuro pros quadrinhos no Brasil. As editoras não tem capacidade de apresentar propostas comerciais viáveis e os artistas não produzem trabalhos interessantes desse ponto de vista. Tudo depende de políticas públicas. Artistas de quadrinhos no Brasil já sonham ser funcionários públicos e viver a custa do governo, com a produção e compra de seus gibis duvidosos por meio de editais mais duvidosos ainda. O suposto "crescimento" que esse mercado teve nos últimos cinco anos não passa de uma decorrência natural dessas compras e de uma maior divulgação de fanzines via internet. Artistas brasileiros só tem futuro real no exterior.

Por isso não falarei mais de quadrinhos brasileiros. Em compensação, todo um mundo de bons quadrinhos estão aí e serão comentados. Quadrinhos americanos, franceses, italianos, ingleses, belgas, portugueses, argentinos, japoneses e sabe-se mais lá de onde. A esses a minha atenção.

Este blog vai continuar do mesmo jeito que é, porém, sem jogar pérolas aos porcos.



...

11 Comentários:

The Fool disse...

O senhor é um corajoso.
Corajoso porque tentou fazer o que outros não fazem, como você mesmo disse, jogar pérolas pra porcos.
E entendo que o senhor tenha desistido, é merda demais, podreira demais pra lidar.
As pessoas são díficeis de lidar.
Triste isso, não existe crítica, tudo é oba-oba.
Pode ser pro lado dos comics, dos mangás, não importa, tudo é lindo no reino da fantasia!
Sabe, eu não leio seu blog, mas fico triste de ver que um crítico desistiu disso aqui.
Dessa porcaria chamada quadrinho nacional.
É foda.
Boa sorte no que for fazer, cara!
Até.

calazans disse...

Congratulações, tentei fazer o mesmo e obtive ofensas pessoais e inimigos , isto nos anos 80, sua experiencia prova que nada mudou, sem uma boa literatura não temos uma boa dramaturgia, sem este teatro não temos um bom cinema (Compare com o número de Palmas de ouro de CANNES, Cesár, Urso de Berlin, Goya etc do cinema dos CHILENOS) e sem isto não há story boards empregando boa linguagem cinematografica e em decorrencia nem roteiros bons , só um quadrinho plagiando mangá ou plagiando super-heróis, nada autentico como no Chile e Argentina , como Espanha....somente infatilidade e banditismo de editores 171 biltres e caloteiros contumazes e pretendentes a autores infantilizados e mimados por sites que publicam press -release. Triste, mas não existe mesmo e nem tem como existir.

Fernando Aoki disse...

Bem, isso me fez lembrar de uma provocação (praticamente uma trolagem) que cometi em 2009, na comunidade de super-heróis (brasileiros? nem me lembro) do orkut. Postei esse tópico gigantesco, teve uma repercussão (negativa, óbvio) de igual porte, até que o moderador apagou o post (incrível não terem me expulsado da comunidade à época).

Saí relativamente ileso dessa, talvez por não fazer muito barulho, nem ter grande produtividade.

Fiquei curioso de saber se os meus argumentos são apenas teoria de bêbado ou se têm algum fundamento no mundo real.

Senti o meu texto como uma espécie de complemento ao apresentado aqui, e infelizmente a tacanheza e mesquinharia por partes desses autores que não suportam críticas talvez possa ser explicada pela síndrome do “sebastianismo-super-heroístico” que descrevi no post que salvei no meu bloguinho.

http://almadeaco.blogspot.com.br/2009/05/teoria-de-botequim-1-criando-polemicas.html

Quem não tiver saco para ler toda aquela bíblia, eu compreendo, mas acho que vale a pensa pensar sobre o assunto, e de fato, até agora não me apresentaram contraargumentos apropriados para me demover da minha teoria de botequim.

Frank Delmindo disse...

Parabéns por ao menos ter se indisposto com os autores, motivado por uma boa razão: criticar trabalhos.
.
E espero poder, o mais breve possível, produzir obra com qualidade suficiente para forçá-lo a comentar, não apenas positivamente...

Linck disse...

Mauro, concordo em partes. Você tens razão em apontar esse cenário de puxa-saquismo e incapacidade de formação crítica. Eu mesmo que já havia escrito algo que perpassa essa sua crítica. http://quadrinhosnasarjeta.blogspot.com.br/2012/03/o-apocalipse-dos-integrados_07.html

Mas há exceções. Eu fiz uma crítica ao grupo Quadrante Sul que eles fizeram inclusive questão de postar no blog deles. http://quadrantesul.blogspot.com.br/2012/03/quadrante-sul-04-ainda-ressoa.html

Eu sinceramente acho que ao desistirmos de criticar material nacional damos o braço a torcer para os mesmos medíocres que não suportam produção crítica. Igualmente também perdemos a oportunidade de encontrar artistas que fujam desse padrão.

Se a crítica se ausenta dos materiais, é sinal que o mundo ficou ainda mais pobre.

Abraços.

eueueueueueue disse...

Quadrinho brasileiro funciona assim: o editor finge que paga o quadrinhista e o quadrinhista finge que faz quadrinhos.
Fórmula de quadrinhista de sucesso no Brasil??? só se for um Ziraldo com indenização milionário bolsa-ditadura ou desenhar cartazes para governos.
Maurício de Souza...bem , este não vou nem falar...mistura Luluzinha com Mafalda etc, não tem nada de original, quadrinhos para crianças futuras debiloides.
Ou um Smilinguido da vida, com um rebanho grande de leitores fanatizados pela bíblia.

Ricardo Alves Soares disse...

Ola meu caro. Estou vendo este seu blog agora. Eu e o Nill, somos os proprietários do site Seiren. Site esse de quadrinhos eróticos. Tudo o que você falou é a mais pura verdade. Nós temos uma dificuldade muito grande em achar caras que queiram desenhar para nós, não por questão de grana. A gente paga com gosto os desenhistas. Já contamos com artes do Doni, Seabra, mas existem muitos bons desenhistas no Brasil, só que os caras que são bons, acham se só vão desenhar para Marvel e DC. É uma Pena. Os quadrinhos no Brasil tem futuro sim, com o sangue novo que tem entrado, porque os caras velhos, vão continuar sentados esperando a DC e a Marvel. E sim...é verdade o que disse sobre o coleguismo de um elogiar o trabalho meia-boca do outro.

Rom disse...

Deixa ver se entendi: você fala mal de TODOS os quadrinhos nacionais sem nunca ter lido nem 10% do que já foi publicado aqui ("Nem mesmo sou um apreciador de quadrinhos brasileiro"), rotula todos os artistas de oportunistas medíocres ("Por que iria me ocupar em resenhar obras medíocres feitas pra abocanhar dinheiro público na forma de compras pra bibliotecas"), egocêntricos e burros ("Por que iria tentar 'colaborar' com pessoas que não querem nenhuma ajuda, mas apenas satisfazer o seu ego carente de elogios, ego maior que a inteligência e o talento?") e donos de sites sobre quadrinho nacional de ínúteis ("Os sites sobre quadrinhos brasileiros são inúteis"), mas fica todo ofendido quando alguém lhe retorna as críticas no mesmo nível. E ainda se acha o dono da verdade, o mais inteligente dos críticos, menosprezando a capacidade intelectual dos artistas nacionais ("Gosto de polêmicas e discussões, mas não de criar relações com pessoas de baixo nível cultural e de caráter..."). Antes de destilar sua revolta de classe mé(r)dia alta com pérolas preconceituosas e mal informadas do tipo "Não há nada que preste sendo produzido nem futuro pros quadrinhos no Brasil" procure se informar mais. Mas se não quiser, pode ter certeza que vamos indo muito bem sem suas "opiniões". Abraço!

Rom disse...

E antes de você vá correndo contar tudo pra sua mãe, fique sabendo que só retornei as críticas no mesmo tom que você usou por exemplo quando chamou os fãs de Alan Moore de imbecis. Se não sabe brincar, não desce pro play, crianção!

Blog Jurídico disse...

Acho que o Brasil possui bons desenhistas de quadrinhos, mas ainda não vi bons roteiristas. O roteiro é muito fraco!

Marcelo disse...

No Brasil não há nada de bom em quadrinhos, histórias idiotas e/ou piegas. Há sim bons desenhistas, mas que tem que fazer do seu trabalho uma espécie de hobby e não uma profissão.

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