26 de set de 2011

Sergio Bonelli morre e deixa um grande legado para os quadrinhos



Falar sobre quadrinhos sem citar Sergio Bonelli é praticamente impossível. Sua passagem neste dia 26 de setembro, aos 79 anos, representa uma grande perda para todos os afccionados. Sergio Bonelli era escritor, editor e empresário e deixou uma marca inigualável na história dos quadrinhos pelo seu talento, profissionalismo e respeito para com os profissionais do ramo e os leitores.

Sergio era filho de Gian Luigi Bonelli, que criou o personagem Tex Willer em 1948. Sua mãe, Tea Bonelli, fundou uma pequena editora, a Redazione Audace, para publicar as HQs, desta maneira Sergio se envolveu com quadrinhos desde muito cedo. Mais tarde tornou-se editor e escritor, assumindo a empresa da família em 1957. Não querendo ser confundido com seu pai, decidiu assinar suas histórias com o pseudônimo Guido Nolitta.

Em 1961 ele criou o personagem Zagor e seguiu escrevendo roteiros para Tex. A época de ouro da Bonelli foi nos anos 1980 e 90, quando chegava a vender 3 milhões de revistas por mês, com uma média de vinte títulos. Sergio também criou Mister No e foi editor de Martin Mystere, Dylan Dog e Nathan Never. Ao longo de mais de seis décadas de trabalho, Bonelli se tornaria uma figura legendária no mundo dos fumetti.

O formato Bonelliano de quadrinhos traz HQs com uma média de cem páginas, quase sempre em preto e branco e com histórias fechadas. Mesmo sendo voltadas para um público heterogêneo, elas agradam principalmente os leitores mais velhos e refletem o gosto dos italianos pela ficção de gênero. O modo de contar histórias é bem convencional, mas cada autor encontra uma maneira de expressar sua personalidade dentro desses limites.

O que diferencia o trabalho da Bonelli, na minha opinião, é a capacidade de manter uma linha editorial voltada para o consumo das massas, mas sem jamais perder o senso de qualidade. Na Europa, onde os quadrinhos são vistos como uma forma legítima de arte desde os anos 1960, manter esse equilíbrio pode ser difícil. Os quadrinhos Bonellianos o fazem com maestria e acredito que esta vitória em grande parte se deve a visão criativa e profissional de Sergio.

Também no Brasil os gibis da Bonelli são um sucesso, principalmente Tex, que já completou 500 edições. Fui grande fã e colecionador de vários títulos: Mágico Vento, Martin Mystere, Júlia Kendall e Dylan Dog. Cresci com esses gibis e aprendi muito com eles. Até hoje conheço pessoas que não leem nada além de Tex. Das pessoas simples e sem educação até universitários e intelectuais se envolvem nas aventuras bonellianas. Estes títulos conseguem provar que os quadrinhos são acima de tudo uma forma de arte popular e podem quebrar barreiras culturais. Apostando na paixão simples que todos temos pela leitura de histórias de aventura e escapismo, Bonelli conseguiu desenvolver o mercado de quadrinhos em seu país, o que deveria ser um exemplo para os brasileiros.

Sergio Bonelli também tinha um grande respeito pelo Brasil e visitou nosso país várias vezes desde 1968, não é a toa que as histórias de Mister No se passam na Amazônia. Seu gosto por viagens e lugares exóticos, típico dos homens de ação de antigamente, inspirou muitas de suas histórias.

A este grande profissional que dedicou sua vida aos quadrinhos com tanto amor e seriedade fica a nossa singela homenagem.




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